Lesão que tirou César Cielo do Mundial afeta principalmente nadadores e lançadores

19/11/2015

O campeão olímpico César Cielo ficou fora do Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, na Rússia devido a uma lesão no tendão supra espinhal. A decisão de deixar a competição foi do médico da equipe brasileira de natação, Gustavo Magliocca, após o nadador se queixar de dores no ombro esquerdo durante mais de um mês. Ao passar por exames, ficou constatado que a lesão poderia ser agravada caso o atleta continuasse na competição.

O fisioterapeuta Pericles Machado, responsável técnico da clínica Physio Athletic explica que esta lesão é fruto de stress do supra espinhoso, um dos tendões que compõem o manguito rotador que serve para elevar, rodar externamente e internamente o ombro, manter a parte superior do braço (úmero) unido a escápula e o resto do tronco, são os músculos que evitam a luxação do ombro.

A lesão ou a distensão do tendão do supra espinhal acontece especialmente nos atletas lançadores (ténis, basquetebol, jogadores de vôlei) e nos nadadores pois o tendão é muito utilizado nos movimentos da natação, principalmente no nado crawl. De acordo com o fisioterapeuta as causas podem ser distintas: “Em alguns casos, o indivíduo é predisposto, em outros é o resultado de um trauma, um movimento brusco, mas pode também ser um lento processo de inflamação crônica do tendão e degeneração devido ao desgaste”, comenta Pericles.

O principal sintoma é a dor na área afetada pela lesão, que pode irradiar para o ombro, braço e pescoço por conta da má postura e uso inadequado. As pontadas no ombro provocam uma perda de força e limitação de certos movimentos simples como pegar a carteira no bolso, pentear o cabelo, amarrar o sutiã, entre outros.

A lesão do manguito evolui, passando por várias fases e durante a recuperação, cada uma dessas fases exige um tratamento específico. Na fase inflamatória o paciente é aconselhado a restringir o uso do braço, especialmente os movimentos de elevação do membro superior acima da cabeça. Nas fases seguintes, que podem constar de fibrose e espessamento do tendão e da bursa, o fortalecimento e o recondicionamento gradativo do manguito deverão ser introduzidos.A progressão da carga dos exercícios é feita em consultas subsequentes nas quais a mecânica e a função da articulação do ombro será reavaliada. “O tempo de recuperação varia muito de um indivíduo para o outro, mas, no mínimo, deverá ser necessário cerca de 1 a 3 meses de tratamento fisioterapêutico”, conta Pericles.

Para a prevenção desta lesão na atividade desportiva é necessário trabalhar a postura e manter fortalecidos e coordenados os músculos da coifa dos rotadores que exercem o controle do funcionamento do ombro. “Aos primeiros sinais, e de acordo com a intensidade das queixas, procure ajuda e, se necessário, diminua temporariamente as suas atividades. E lembre-se, se não parar por si, o seu ombro pode parar você”, alerta e finaliza o fisioterapeuta.